sábado, 28 de fevereiro de 2009

Desistir

Desisti de mim
De me ver ao espelho
De querer saber se estou atrasado
De me preocupar se o sol brilha
Se a vida recomeça cada dia
Se estou a envelhecer
Se um dia vou mesmo morrer
Desisti de mim
Aqui e agora
De tudo o que passa lá fora
Das coisas que nunca fiz
E das outras que nem tentei
Do medo que sentia no escuro
Da ansiedade com que via a noite chegar
Desisti de mim
Já não penso mais nisso
Não me faz diferença a ilusão
O pecado e o perdão
A vontade de rir ou de chorar
Ou a doce amargura de te amar
Desisti de mim
Mas não desisto de ti.

Olha para mim

Olha para mim
E não me deixes partir
Olha para mim
E não me deixes fugir
Olha para mim
E sente a minha vontade
Olha para mim
Adivinha e minha idade
Olha para mim
Neste momento agora
Olha para mim
E esquece aquela hora
Olha para mim
Sabes que és capaz
Olha para mim
Porque para mim, tanto me faz

A primeira flor da Primavera

Apanhei a primeira flor da Primavera
só para te mostrar que sou capaz de tudo.
Até mesmo de apanhar a primeira flor da Primavera.
Mesmo sabendo que ela não é minha.
Não pertence a ninguém.
Porque é de toda a gente.
Apanhei-a só para te dar.
Só para te ver sorrir.
E com ela ficaste.
Não a dês a ninguém.
Mesmo que tenhas vontade.
Porque eu a apanhei só para ti.
Pediste-me uma prova de amor.
E eu escolhi a mais arrojada de todas
Apanhei a primeira flor da Primavera.
E dei-te.

Já não tenho alegrias

Já não tenho alegrias
Troquei-as pela vontade de estar vivo
Afastei-me de propósito da felicidade.
E não consigo encontrar a porta que me
leva a ela de novo.
Minha culpa
Minha tão grande culpa.
Não a vi chegar, não dei por ela partir.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Madrugada e um beijo

Arranquei da madrugada um beijo
O mesmo beijo que me negaste
Quando a lua tinha acabado de nascer
Os teus lábios sabiam a maresia e neles
Habitavam as tonalidades e os sons do dia
Quando acaba de nascer
Vi-te ali, assim, despida e solta
Apenas tu e a tua presença
Nada mais
Apenas tu
E ao ver-te percebo como é maravilhosa
A natureza dos meus sentidos
Os mesmos que se confundem com os teus
E sinto que o dia pode nascer
Porque te tenho ao meu lado
Onde o teu corpo repousa
Depois de uma noite
Não apenas mais uma noite
Mas a noite em que contigo partilhei
O melhor de mim
O meu amor por ti

Senhora

Senhora dos meus sentidos
Fada da minha vida
Magia colorida

Senhora dos meus sentidos
Madrugada de agora
E o nascer da aurora

Senhora da minha esperança
Vida cheia de ilusão
E a cor da paixão

Senhora da minha esperança
Quando a noite se abriga
No florir da espiga

Senhora do meu tempo
Sei que hoje te digo
Que serei teu amigo

Senhora do meu tempo
De hoje e de agora
Quando chega a tua hora?

Há sempre

Há sempre uma vida por viver
Um amor que não quer morrer
E uma noite por passar
Se nada tenho para dar

Há sempre um destino perdido
Uma amor que nunca foi vivido
E um tempo de agora
Que perdeu a sua hora

Há sempre uma criança a nascer
Um orgulho que só sabe crescer
E se não posso não digo
És o meu porto de abrigo

Há sempre por aí uma palavra cruel
Uma flor a nascer numa jarra de fel
E numa longa tarde perdida
Abre-se de novo uma ferida

Sabias?

Sabias?
Que a vida sem ti já não presta
Sabias?
Que tudo não passa de uma ilusão
Sabias
Que há uma luz a passar nessa fresta
E a esmagar esta minha dor de paixão

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quando te ouço chorar

Quando te ouço chorar,
é como se os rios galgassem as margens e
os mares esmagassem as dunas
e o sol aquecesse sem parar
Quando te ouço chorar,
é como se as nuvens fizessem cair
sobre mim toda a água dos oceanos.
É como se a terra se partisse em mil bocados
e os pássaros deixassem de voar.
Quando te ouço chorar,
é como se todos os sons se juntassem
para me destruir.
É como se uma flor morresse antes de florir.
É como se uma criança parasse de brincar.
Quando te ouço chorar,
olho para mim e não gosto do que vejo.
Olho para a vida e faço de contas que sei,
que um dias após o outro
alguém vai ter de mudar
Quando te ouço chorar,
não ouço mais nada.
Não vejo mais nada.
Não falo a ninguém.
Quando te ouço chorar,
apenas te ouço chorar.
E no teu choro,
descubro os tons da madrugada e
a vida que nunca acaba.
E mais o que possas imaginar, eu sinto,
quando te ouço chorar.

Brilhas

Brilhas na minha frente
E no teu brilho tens
a frescura da madrugada
O sol que nasce na hora marcada

Brilhas na minha frente
E em ti há o brilho
do luar vertido na solidão
Onde a mágoa separa a paixão

Brilhas na minha frente
Como o brilho inquieto de
uma palavra que exalas
No tom sereno das falas

Brilhas na minha frente
O brilho da vida e da sorte,
a dor que não fica perdida
E a razão que nunca é esquecida

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Mar do Norte

Ó Mar do Norte.
Que trazes o frio das ondas.
Que medes no teu encanto
todas as belezas
que a tua vontade encerra.
Que me dirás se eu te disser
que não te temo mais?
Que deixei de te ter respeito,
desde que me levaste para longe o meu amor
e me deixaste cercado pela saudade da sua ausência?
Sabes que não te viro as costas.
Que te enfrento sem temer.
Porque já nada temo.
Porque já nada me prende aqui.
Agora que levaste para longe o meu amor
e me deixaste preso a esta terra sozinho.
Não tenho feitio para a solidão.
Por isso partirei em tua direcção
e abrirei o meu caminho
À procura do amor que levaste
para longe de mim.

Ninguém se lembra de ti

Quanto custa o suor do teu trabalho?
Quando valem os calos que tens nas mãos?
És a sombra do que foste.
És a memória sempre ausente.
Ninguém se lembra de ti.
Ninguém recorda o teu nome.
És um resto de nada.
Uma voz que não se ouve.
Um olhar que não existe.
Não tens nome.
Não tens rosto.
Tens apenas aquilo que te deram um dia.
O destino falhado.
Uma solidão esquecida.
És um homem explorado
É uma vida sofrida.

Saudade

Saudade, porque não me largas?
Porque me persegues?
Que mal eu te fiz?
Quem foi que te disse que eu te queria perto de mim?
Não sabes que não te estimo?
Não sabes que não prezo a tua companhia?
Não te disseram que só me causas sofrimento?
Então porquê?
Porquê?
Queres que eu diga que te respeito, apenas porque me causas dor?
Queres que espalhe ao vento que me dilaceras o peito?
Queres que grite quando esmagas o meu coração ferido de amor?
Afinal o que queres de mim?
Porque não me deixas quieto?
Porque fazes questão de me acompanhar a cada minuto?
Não pensas no sofrimento que me causas?
Achas que é pouco?
Achas que não sinto a tua melancólica agonia?
E a que me causas a mim?
Já paraste para pensar nisso?
Ò Saudade maldita.
Afasta-te de mim.
Desaparece da minha vista.
E deixa no teu lugar a esperança.
De nunca mais te sentir.
De nunca mais te ter.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Tarde de chuva

A chuva batia no vidro do carro.
Lá fora um manto de nuvens escuras,
prometiam mais água derramada sobre nós
Os vidros embaciados da nossa respiração,
separavam-nos do mundo
Onde tudo é frio e cinzento.
Onde tudo é negro e difícil.
Mas atrás dos vidros,
nós unidos pela vontade e pelo desejo.
Corpo no corpo.
Numa comunhão de pele.
Onde tudo é belo quando se deseja.
Onde tudo é sincero quando se partilha.
E no fim,
o frio passa a calor
A vontade passa a saudade.
O desejo passa…o desejo não passa.
Fica.