Recebo a madrugada no silêncio do quarto
e ao meu lado está o teu corpo preenchendo os lençóis.
Os mesmo lençóis que devolveram à noite a vontade
de te ter de novo como se fosse a primeira vez
Quieta e segura mergulhas nos sonhos que te levam
mais depressa para longe, onde tudo parece irreal.
Agora que estás perto de despertar, inquietas-me o pensamento
e fazes nascer em mim a derradeira das vontades
Ganhas-te a corrida ao sol e os teus olhos soltam a luz
que um dia me prenderam como duas grilhetas sem chave
O sorriso que os teus lábios soltam, o teu primeiro sorriso
é para mim. Terei feito assim tanto para o merecer?
Quando a ponta dos teus dedos encostam na minha pele
solta-se em mim o suspiro dos inocentes
Daqueles que nada pedem e a tudo se obrigam
E devolvo-te o sorriso, o mesmo sorriso de sempre.