quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Solidão

Maldita solidão que me castigas alma
Destróis o meu sossego
Asfixias a minha felicidade
Dominas os meus sentidos
Não me deixas olhar em frente

Estou farto

Estou farto de conversar com pessoas que não sabem rir
Com ideias tristes e magoadas
Que choram por tudo e por nada
Falam da vida e do mundo
Da miséria que no fundo
Não é ideia acabada

Estou farto de murmúrios esquecidos no tempo
De gestos que nunca mais acabam
De livros que não consigo ler
Músicas que não posso ouvir
Portas fechadas por abrir
Medos que fazem correr

Estou farto de certezas absolutas e determinadas
Do sol que nasce todos os dias
Da lua que morre todas as noites
Águas que não passam no rio
Muralhas que agora desafio
Corpos cobertos de açoites

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Fizeram tudo

Convocaram todas as bruxas e feiticeiros
Abriram os manuais e os pergaminhos
Fizeram o dia transformar-se em noite
A água em fogo
O mar em deserto
E mesmo assim
Não conseguiram retirar da minha vontade
A lucidez dos gestos
Os mesmos que te entrego e reservo
Aqueles que com mais ninguém partilho
Fizeram tudo sem fazer nada
Ameaçaram com ventos e tempestades
Mas eu fiquei aqui
Sozinho neste lugar
Onde me disseram que um dia
Tu ias acabar por passar.

Há em mim

Há em mim
Mil guerreiros de mágoas
Todos perfilados lado a lado
Prontos para desassossegar o meu silêncio

Há em mim
Uma nuvem que atravessa o tempo
Uma chuva que não sabe se cai
Tudo junto numa neblina de vontade

Há em mim
Uma dura e secreta realidade
Horas passadas a ver a lua
Sempre que ela adormece no céu

Há em mim
Um triste acordar de madrugada
Uma secreta ambição pelo risco
E um querer que nunca vou alcançar

Fingimento

Às vezes finjo que não penso em ti todos os dias, a todas as horas e minutos.
E quando percebo que não sei fingir, fico atormentado por reconhecer que sem ti a vida fica mais difícil de viver.
Agora que o mundo desperta à minha volta,
sinto que a madrugada se desfaz lentamente
Com cores que só ela conhece e domina.
E nos sentidos mais completos,
aqueles que me fazem acreditar que as estrelas não vão cair do céu,
acredito e aceito que os dias não são dias se tu não estás.
E por isso finjo. Para fingir que não finjo que penso em ti

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Contigo

Os meus dias deixaram de ter horas e minutos
Apenas segundos
Os mesmo que contigo passo, sem saber onde estou
Para onde vou
Apenas com quem vou
Contigo
Só contigo
Fazes-me feliz
Porque não sinto o tempo passar
Não sinto a vida mudar
Apenas tu preenches a minha vontade
A minha felicidade
E o que mais por aí pode vir
Fazes parte do meu tempo
Mesmo que nunca tenhas percebido
O quanto és importante para mim.

Gostar de ti

Só os sons da tua alma
São capazes de confundir os meus ouvidos
E neles descubro a forma e os lugares
Do sítios que contigo conheci
Nada me faz mais feliz do que tu
E mesmo que me digam
Que é ridículo ser assim
Sei que nada me obriga
A gostar tanto de ti

Minha terra

É na humildade da tua figura
Que me entrego
E faço de contas que sei
Todos os poemas da terra
Todos os sons do céu
Todas as formas do mar
Tu és o meu planeta
E em ti vivo feliz para sempre

Mar e maresia

Não há mar nem maresia
Maré-cheia ou vazia
Não há ondas nesse mar
Nem temor de navegar

Não há desejo nem paixão
Ou uma letra sem canção
Não há vento e tempestade
Só memória e saudade

Não há formas ou sinais
Que me façam amar-te mais
Não há dor nem sentimento
Rasgo a dor nesse momento

Não há temor nem fadiga
Neste amor que me castiga
Não há vontade de ficar
Num lugar que não tem mar

Não há nada neste lugar
Que me impede de navegar
Sinto que não fui sincero
Neste fado de desespero

Um resto

És um resto daquilo que foste
Uma pintura sem cores de afecto
És a presença de um dia que nasce
E a aventura que sinto de perto

És a verdade e a mentira esquecida
A mulher que não pode faltar
És a forma de vida tremida
Só dois corpos conseguem amar

És um pouco de tudo e de nada
Uma folha caída no chão
És a forma que já não se esgota
Um pedaço de sonho na mão

És um grito de paz e de guerra
A canção que já não sei cantar
És a força que prende cá dentro
A vontade de tanto te amar

És um sinal de vida perdido
Um olhar que não sabe o que quer
És o rosto de um mundo esquecido
Nesse corpo que é de mulher

És a vida que está preste a nascer
A carícia e um beijo fatal
És o som da guitarra que cresce
Num balanço sem ponto final

Há dias

Há dias em que deixo de ver as cores
Que só o teu sorriso sabe mostrar.
Há dias em que deixo de ouvir os sons
Que só os teus lábios sabem pronunciar
Há dias em que não quero fechar os olhos
Porque tenho medo de ao abri-los
Já não consiga ver as formas do teu corpo
Há dias em que só me apetece pedir aos Deuses
Quem te mantenha assim: minha para sempre

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Desistir

Desisti de mim
De me ver ao espelho
De querer saber se estou atrasado
De me preocupar se o sol brilha
Se a vida recomeça cada dia
Se estou a envelhecer
Se um dia vou mesmo morrer
Desisti de mim
Aqui e agora
De tudo o que passa lá fora
Das coisas que nunca fiz
E das outras que nem tentei
Do medo que sentia no escuro
Da ansiedade com que via a noite chegar
Desisti de mim
Já não penso mais nisso
Não me faz diferença a ilusão
O pecado e o perdão
A vontade de rir ou de chorar
Ou a doce amargura de te amar
Desisti de mim
Mas não desisto de ti.

Olha para mim

Olha para mim
E não me deixes partir
Olha para mim
E não me deixes fugir
Olha para mim
E sente a minha vontade
Olha para mim
Adivinha e minha idade
Olha para mim
Neste momento agora
Olha para mim
E esquece aquela hora
Olha para mim
Sabes que és capaz
Olha para mim
Porque para mim, tanto me faz

A primeira flor da Primavera

Apanhei a primeira flor da Primavera
só para te mostrar que sou capaz de tudo.
Até mesmo de apanhar a primeira flor da Primavera.
Mesmo sabendo que ela não é minha.
Não pertence a ninguém.
Porque é de toda a gente.
Apanhei-a só para te dar.
Só para te ver sorrir.
E com ela ficaste.
Não a dês a ninguém.
Mesmo que tenhas vontade.
Porque eu a apanhei só para ti.
Pediste-me uma prova de amor.
E eu escolhi a mais arrojada de todas
Apanhei a primeira flor da Primavera.
E dei-te.

Já não tenho alegrias

Já não tenho alegrias
Troquei-as pela vontade de estar vivo
Afastei-me de propósito da felicidade.
E não consigo encontrar a porta que me
leva a ela de novo.
Minha culpa
Minha tão grande culpa.
Não a vi chegar, não dei por ela partir.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Madrugada e um beijo

Arranquei da madrugada um beijo
O mesmo beijo que me negaste
Quando a lua tinha acabado de nascer
Os teus lábios sabiam a maresia e neles
Habitavam as tonalidades e os sons do dia
Quando acaba de nascer
Vi-te ali, assim, despida e solta
Apenas tu e a tua presença
Nada mais
Apenas tu
E ao ver-te percebo como é maravilhosa
A natureza dos meus sentidos
Os mesmos que se confundem com os teus
E sinto que o dia pode nascer
Porque te tenho ao meu lado
Onde o teu corpo repousa
Depois de uma noite
Não apenas mais uma noite
Mas a noite em que contigo partilhei
O melhor de mim
O meu amor por ti

Senhora

Senhora dos meus sentidos
Fada da minha vida
Magia colorida

Senhora dos meus sentidos
Madrugada de agora
E o nascer da aurora

Senhora da minha esperança
Vida cheia de ilusão
E a cor da paixão

Senhora da minha esperança
Quando a noite se abriga
No florir da espiga

Senhora do meu tempo
Sei que hoje te digo
Que serei teu amigo

Senhora do meu tempo
De hoje e de agora
Quando chega a tua hora?

Há sempre

Há sempre uma vida por viver
Um amor que não quer morrer
E uma noite por passar
Se nada tenho para dar

Há sempre um destino perdido
Uma amor que nunca foi vivido
E um tempo de agora
Que perdeu a sua hora

Há sempre uma criança a nascer
Um orgulho que só sabe crescer
E se não posso não digo
És o meu porto de abrigo

Há sempre por aí uma palavra cruel
Uma flor a nascer numa jarra de fel
E numa longa tarde perdida
Abre-se de novo uma ferida

Sabias?

Sabias?
Que a vida sem ti já não presta
Sabias?
Que tudo não passa de uma ilusão
Sabias
Que há uma luz a passar nessa fresta
E a esmagar esta minha dor de paixão

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quando te ouço chorar

Quando te ouço chorar,
é como se os rios galgassem as margens e
os mares esmagassem as dunas
e o sol aquecesse sem parar
Quando te ouço chorar,
é como se as nuvens fizessem cair
sobre mim toda a água dos oceanos.
É como se a terra se partisse em mil bocados
e os pássaros deixassem de voar.
Quando te ouço chorar,
é como se todos os sons se juntassem
para me destruir.
É como se uma flor morresse antes de florir.
É como se uma criança parasse de brincar.
Quando te ouço chorar,
olho para mim e não gosto do que vejo.
Olho para a vida e faço de contas que sei,
que um dias após o outro
alguém vai ter de mudar
Quando te ouço chorar,
não ouço mais nada.
Não vejo mais nada.
Não falo a ninguém.
Quando te ouço chorar,
apenas te ouço chorar.
E no teu choro,
descubro os tons da madrugada e
a vida que nunca acaba.
E mais o que possas imaginar, eu sinto,
quando te ouço chorar.

Brilhas

Brilhas na minha frente
E no teu brilho tens
a frescura da madrugada
O sol que nasce na hora marcada

Brilhas na minha frente
E em ti há o brilho
do luar vertido na solidão
Onde a mágoa separa a paixão

Brilhas na minha frente
Como o brilho inquieto de
uma palavra que exalas
No tom sereno das falas

Brilhas na minha frente
O brilho da vida e da sorte,
a dor que não fica perdida
E a razão que nunca é esquecida

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Mar do Norte

Ó Mar do Norte.
Que trazes o frio das ondas.
Que medes no teu encanto
todas as belezas
que a tua vontade encerra.
Que me dirás se eu te disser
que não te temo mais?
Que deixei de te ter respeito,
desde que me levaste para longe o meu amor
e me deixaste cercado pela saudade da sua ausência?
Sabes que não te viro as costas.
Que te enfrento sem temer.
Porque já nada temo.
Porque já nada me prende aqui.
Agora que levaste para longe o meu amor
e me deixaste preso a esta terra sozinho.
Não tenho feitio para a solidão.
Por isso partirei em tua direcção
e abrirei o meu caminho
À procura do amor que levaste
para longe de mim.

Ninguém se lembra de ti

Quanto custa o suor do teu trabalho?
Quando valem os calos que tens nas mãos?
És a sombra do que foste.
És a memória sempre ausente.
Ninguém se lembra de ti.
Ninguém recorda o teu nome.
És um resto de nada.
Uma voz que não se ouve.
Um olhar que não existe.
Não tens nome.
Não tens rosto.
Tens apenas aquilo que te deram um dia.
O destino falhado.
Uma solidão esquecida.
És um homem explorado
É uma vida sofrida.

Saudade

Saudade, porque não me largas?
Porque me persegues?
Que mal eu te fiz?
Quem foi que te disse que eu te queria perto de mim?
Não sabes que não te estimo?
Não sabes que não prezo a tua companhia?
Não te disseram que só me causas sofrimento?
Então porquê?
Porquê?
Queres que eu diga que te respeito, apenas porque me causas dor?
Queres que espalhe ao vento que me dilaceras o peito?
Queres que grite quando esmagas o meu coração ferido de amor?
Afinal o que queres de mim?
Porque não me deixas quieto?
Porque fazes questão de me acompanhar a cada minuto?
Não pensas no sofrimento que me causas?
Achas que é pouco?
Achas que não sinto a tua melancólica agonia?
E a que me causas a mim?
Já paraste para pensar nisso?
Ò Saudade maldita.
Afasta-te de mim.
Desaparece da minha vista.
E deixa no teu lugar a esperança.
De nunca mais te sentir.
De nunca mais te ter.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Tarde de chuva

A chuva batia no vidro do carro.
Lá fora um manto de nuvens escuras,
prometiam mais água derramada sobre nós
Os vidros embaciados da nossa respiração,
separavam-nos do mundo
Onde tudo é frio e cinzento.
Onde tudo é negro e difícil.
Mas atrás dos vidros,
nós unidos pela vontade e pelo desejo.
Corpo no corpo.
Numa comunhão de pele.
Onde tudo é belo quando se deseja.
Onde tudo é sincero quando se partilha.
E no fim,
o frio passa a calor
A vontade passa a saudade.
O desejo passa…o desejo não passa.
Fica.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Trazes nos teus lábios

Trazes nos teus lábios o sabor do licor dos Deuses
Com ele me embriagas e abres as portas do Paraíso
Desmanchas a minha vontade mais secreta
E baralhas os meus segredos mal revelados
Adoras saber que me sinto perdido como um menino
E que não temo o escuro mesmo que ele se torne desejável
Sentes-te a dona do meu tempo e do meu espaço
Mas quem te disse que eu não gostava?
Quem te falou da Primavera, depois do Verão?
Não invertas o tempo, deixa que ele faça a sua parte
E esmaga-me com o teu silêncio
Porque só ele é capaz de me ferir e provocar dores
E eu aceito-as. Não as renego. Não me afasto delas
Mostra-me a tua coragem se é que não a perdeste
Precisavas de juntar forças para me dizer que sou tudo e nada para ti
Mas não foste capaz. Porque sabes que o meu dia não começa
Quando o sol se vai embora e o a lua não nasce
Abre-te para mim. Faz de mim o teu fiel de balança
Deixa-me equilibrar os teus sentidos
E depois vai embora. Já não fazes falta
Porque eu sou um caso perdido sem a opção de ser encontrado

És linda de todas as maneiras

És linda de todas as maneiras.
Até a chorar no escuro do cinema.
E quando sinto a tua emoção,
A passar das tuas mãos para as minhas,
percebo o quanto me sinto bem ao teu lado
Mesmo ali, naquela sala de cinema.
A olhar para a tela.
Onde a vida de alguém,
começa do fim para o principio.
Onde o tempo anda para trás
Quem me dera.
Voltaria ao tempo de te encontrar.
E ter-te só para mim. Apenas para mim
És linda de todas as maneiras

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Deitei fora

Deitei fora os papéis que me mandaste.
Nenhum me servia, nenhum me fazia falta.
O que me faz falta é a tua presença
o teu olhar, a tua forma de ser.
E essa já não a tenho
Perdi como quem perde a vontade de viver
E fiquei perdido no meio de uma solidão voluntária
A mesma solidão a que me obriguei sem saber
Estranhos sentimentos de vontade que me fazem mal

Olho nos teus olhos

Olho nos teus olhos
E neles vejo a planície que nunca acaba
O mar que não tem fim
A montanha que não tem cume

Olho nos teus olhos
E vejo todas as flores dos campos
A frescura da madrugada
E a água cristalina da fonte

Olho nos teus olhos
E vejo o dia de amanhã
A esperança que nunca morre
A vontade de viver

Olho nos teus olhos
E vejo os olhos do mundo
Os olhos das pessoas de bem
Vejo os olhos doces de uma criança

Olho nos teus olhos
E vejo os meus reflectidos
Vejo a alma que não se esgota
Vejo a vontade que persiste

Olho nos teus olhos
E vejo-te a ti
Simplesmente tu
E é tão bom ver-te assim

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Rodeado de gente

Rodeado de gente
sinto-me só.
Não os escuto.
Não lhe presto atenção.
As suas vozes chegam mudas
aos meu ouvido.
Sinto-me perdido no meio
da multidão.
Sinto-me esquecido no meio
do turbilhão.
E vagueio pelas ruas da vida
Onde há gente perdida
Onde há gente esquecida.
Que faço eu aqui afinal?
Quem me indicou este caminho?
Quem partilha comigo esta dor?
A dor de estar sozinho
Acompanhado de tanta gente
Cada um, é aquilo que sente.

Fecha os olhos

Fecha os olhos
E sente a minha mão na tua pele
E na tua boca
Nasce um beijo que me sabe a mel

No teu rosto
Corre um fio doce de ternura
Na tua pele
Não há lugar para tanta amargura

Fecha os olhos
E deixa-te levar pelos momentos
E com os teus dedos
Separa esse mar de sentimentos

No teu peito
Há uma vontade crua de esperança
E no teu ventre
Há o fermento bom de uma criança

Fecha os olhos
E dorme no silêncio do encanto
E nos teus sonhos
Dás-me o beijo que te peço tanto

Nos teus braços
Faço a minha festa prometida
Se te quero
É porque és mulher da minha vida

Junto ao mar

Junto ao mar recebo contigo a Lua.
Ambos sabemos que ela vai nascer, crescer e depois partir.
No meio deste tempo vou-me entregar a ti,
só a ti.
A Lua será testemunha dessa entrega
e nela será reflectido todo o amor que sinto.
Talvez ela o espalhe pelo resto do mundo.
Talvez ela o queria só para si
E a Lua alumiará o teu corpo com o seu brilho,
para que eu o possa percorrer com as pontas dos meus dedos.
E com ela te darei tudo o que tenho para dar
até à última gota de suor.
Até à última faísca de paixão.
E quando ela quiser partir
ficarei ao teu lado
a ver-te dormir.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Culpa

Sinto-me preso
Não me consigo soltar
Já não falo
Já não me queixo
Estou absorvido pelo medo
Esmagado pela indecisão
Atropelado pelo preconceito
E não sei o que fazer
O que dizer
Para onde ir
A quem acudir?
Sinto-me assim
Preso ao fim
Preso às ideias
Que me ferem
Que me sopram
Segredos vazios
E murmúrios ruidosos
Estou entre o tudo e o nada
Entre o medo e o desespero
Não tenho culpa de não ser feliz.
Mas tenho culpa de não ir à procura.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Imaginei

Imaginei o céu e a terra na palma da mão
E nas suas linhas tracei os rios e os caminhos
que me levam até ti.
Nos meus dedos deixei à solta a força da vontade
a mesma com que imaginei as florestas e as árvores
que cobrem a superfície da minha alma

Imaginei os oceanos e os desertos cheios de vida
e neles deixei repousar a mais profunda das verdades
Flores sem pétalas caíram sobre os meus ombros
e neles repousaram até chegar a próxima Primavera
No meu Mundo não há palavras fechadas
nem segredos mal revelados

Imaginei homens e mulheres de costas voltadas
Habituados a ignorar a dura realidade do tempo
à espera da hora que nunca chega
E do tempo que nunca pára
porque há mais morte para além da vida
e mais vida para além da morte

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Dois corpos e quase nada

São dois corpos já molhados
Numa cama aconchegados
E em gestos retorcidos
Estão dois lábios já unidos

E no momento mais secreto
Há um grito mais concreto
Há um morrer de paixão
Ao sabor de uma ilusão

E na loucura dos desejos
Já não passo sem teus beijos
Quando fores adormecer
Fico em silêncio para ver

E se não falta a coragem
Vou guardar a tua imagem
Faço de contas que não sei
Todo os beijo que te dei

E fica o eterno momento
Que não parte com o vento
Há uma chuva mal caída
Sobre a tua pele já despida

É numa cama devassada
Dois corpos e quase nada
O amor é uma canção
Que se canta com o coração

Navegar

Navego à vista no mar da saudade
No convés, marinheiros embriagados
Soluçam no silêncio da madrugada

Na minha frente abre-se o caminho
Por entre o espumar das ondas
Sem que isso pudesse alterar o meu rumo

Não sei onde vou acostar
Que porto ou destino nos espera
Talvez nada nem ninguém nos queira

Navego à vista no mar da saudade
E levo comigo a pouca fortuna
De não saber para onde vou

Menina dos meus olhos

Menina dos meus olhos
És o sol, que me ilumina

És alecrim aos molhos
Tens na pele, a frescura fina

Menina do meu encanto
Tens o vento contigo a correr

Para ti quero tanto
És a causa do meu viver

Menina do meu tempo
Faz de mim, o teu melhor amigo

Solta o cabelo ao vento
Dá-me a mão, vem passear comigo

Menina de ternura
Quero agora ver-te crescer

És a fonte de água pura
És a força de quem quer viver

(para a minha filha)

Recebo a madrugada

Recebo a madrugada no silêncio do quarto
e ao meu lado está o teu corpo preenchendo os lençóis.
Os mesmo lençóis que devolveram à noite a vontade
de te ter de novo como se fosse a primeira vez

Quieta e segura mergulhas nos sonhos que te levam
mais depressa para longe, onde tudo parece irreal.
Agora que estás perto de despertar, inquietas-me o pensamento
e fazes nascer em mim a derradeira das vontades

Ganhas-te a corrida ao sol e os teus olhos soltam a luz
que um dia me prenderam como duas grilhetas sem chave
O sorriso que os teus lábios soltam, o teu primeiro sorriso
é para mim. Terei feito assim tanto para o merecer?

Quando a ponta dos teus dedos encostam na minha pele
solta-se em mim o suspiro dos inocentes
Daqueles que nada pedem e a tudo se obrigam
E devolvo-te o sorriso, o mesmo sorriso de sempre.

E quando danças nua

Alertei o Sol para ele ter cuidado
Com os conselhos que a Lua dá

Dei um grito mudo e incomodado
Numa noite tão perdida como esta está

Avisei os céus que o teu sorriso
É sempre franco mesmo quando ele é dado assim

Dei um beijo longo na tua boca
Fiz um filme duma história que fala de mim

E quando danças nua
O teu corpo a voar
Eu vou até à Lua
O Sol pode esperar

Amarrei as cordas nesse porto ali perdido
É tão comprido que me leva a ti

Adormeci nessa cama de mil formas
Tive um sonho mal sonhado que acabou em mim

Separei os meus medos e os segredos
Que me fazem despertar já em tentação

Haja vento e tempestades de Inverno
Nesse mar a minha vida é uma ilusão

O vento é meu amigo

Recolhi todas as formas e cores
Que o vento deixou ficar na sua passagem

Guardei-as todas para um dia te poder oferecer
E dizer, que o vento nem sempre deixa rasto

Só quando sabe que as suas formas e cores
Podem servir para eu as recolher e te oferecer

Ele sabe o que eu sinto por ti
Ele sabe que só a ti ofereço as suas formas e cores
Ele sabe que comigo é feliz porque o uso apenas
Para te provar o que sinto por ti

O vento é meu amigo
O vento é meu cúmplice
Quando ele parte, eu parto com ele
Quando ele chega, eu chego com ele
Quando ele fala eu ouço
Quando eu falo ele entende

Sei e não sei

Porque se sofre duas vezes?
Porque se tem de sofrer?
Se o amor é bom, porque sofremos por ele?
Se o amor é partilha porque fico só?
Se a vida é justa, porque não me faz justiça?
Se a vida é boa, porque não me dá um pouco da sua bondade?

Sou eu que estou mal?
Sou eu que só sirvo para sofrer?
Sou eu que não sei partilhar?
Sou eu que não sei viver?

Sinto-me esmagado por um sentimento mal sentido
Por um desejo mal desejado
Por um amor mal amado

Sinto-me bem e mal ao mesmo tempo
Sinto que já não me sopra o vento
Sinto cansaço mas não me sento
Sinto vontade deste momento
Sinto por sentir
Sentir o que sinto
Sei que não minto
Sei e não sei
E a nada me dei

Partir e chegar

Trilhei todas as curvas do teu corpo
Mas não encontrei o que queria
Escutei todas as palavras que falaste
Mas não esqueci o que sabia

Arrasei comigo mágoas imensas
Mas não sofri o suficiente
Dei ouvidos a tudo quanto dizias
Mas não lancei a semente

E agora vagueio no teu corpo à solta
Como quem percorre as ruas desertas
Que a madrugada deixou famintas

E agora soletro todas as letras
Todas sem esquecer alguma
Todas sem as repetir
Todas sem nada sentir
Todas e nenhuma

Há um tom e um verso
Um poema disperso
Há um ir e voltar
Um partir e chegar

Esquecer

Agrada-me a ideia de saber que ainda te lembras de mim
Agrada-me saber que não estou no baú das velhas recordações
Agrada-me recordar todos e cada um dos momentos que passámos juntos
Agrada-me pensar que não fui apenas uma coisa passageira na tua vida

Sinto que não fui o melhor nem o pior
Sinto que podia dar mais e pedir em troca
Sinto que o tempo não foi o nosso melhor amigo
Sinto que já não sinto aquilo que sentia

Fazes-me falta, é certo
Tenho dificuldade em esconder
Na verdade é impossível esconder
Porque nada se esconde
Quando realmente existe
Quando realmente é forte
Quando realmente é sincero

E agora, que fazer?
Esquecer?
Fazer de contas que não sei?
Fazer de contas que não te conheci?
Fazer de contas que não me interessa?

Esquecer. Apenas isso. Esquecer.

Apenas ternura

Amargas são as noites que passo sem dormir
Onde volto e revolto e não te acho
Onde as cores e os brilhos do escuro
São apenas isso: cores e brilhos

E volto e revolto
Levanto e deito
Solto no leito
Corpo já solto

Não sabes nem nunca vais saber o que é isso
Não entendes a minha amargura nem o meu sentir
Fazes de conta que não te importas com o que sinto

Talvez te minta
Talvez de abrace
Talvez de faça sentir pena

Abro a janela mas só vejo a madrugada lá fora
Abro a mão mas nenhuma estrela cai dentro dela
Abro o coração para que ele respire o ar fresco da rua

Porque deixo que isto chegue a este ponto?
Será vontade ou sentimento?
Será coragem?
Amargura?
Apenas ternura.

As minhas palavras

As minhas palavras estão preenchidas de mágoas
As mesmas que tenho para te mostrar
Talvez depois entendas
Que as flores quando nascem não são livres
Talvez depois entendas
Que o sol não brilha sempre da mesma maneira
Sempre com a mesma intensidade
E nessa nascente de ternura
Onde tudo é mais
Onde tudo é menos
Onde faço de mim o homem que sou
Onde fazes de ti a mulher que és

Dá-me graça

Dá-me graça quando dizes que não sentes saudades
Do som do vento a assobiar na montanha

Dá-me graça quando dizes que não sentes saudades
Da sombra em quem descobri as formas do teu corpo

Dá-me graça quando dizes que não sentes saudades
Do cheiro das flores silvestres a exalar odores afrodisíacos

Dá-me graça quando dizes que não sentes saudades
Da brisa fresca que te tocava no rosto suado de prazer

Dá-me graça quando dizes que não sentes saudades
Do recuperar de fôlego ao som dos chilrear dos pássaros

Dá-me graça quando dizes que não sentes saudades
De mim e de ti, os dois, transformados num só.

Roubei-te um beijo

Roubei-te um beijo
Se não o roubasse
Não mo davas
Por isso roubei
E passei a ser larápio
Coisa que nunca tinha sido
Porque se não me tivesse tornado
Teria de me contentar sem o teu beijo
Por isso não me arrependo do meu crime
Por isso não me arrependo do que fiz
Fiz porque isso me fez feliz
E até os larápios têm direito a ser felizes
Até os larápios merecem um beijo
Por isso roubei-te um beijo

Mulher amada

Abro a porta e deixo-te entrar
Não vens sozinha. Trazes contigo a madrugada
À porta fica o medo
Cá dentro a vontade
Dás-me as mãos e sentes o frio das minhas
Trazes contigo o calor dos sonhos que nunca acabam
As vontades esquecidas
As ilusões desaparecidas.
Trazes tudo e não trazes nada
Vens apenas tu
Completa
Reservada
Mulher amada

Coisas que não se explicam

Sinto nas palavras que me dizes
Que têm a força das raízes
Num amor que quer nascer
Que não tem nada a perder

Faço desta dúvida a certeza
Os meus segredos sobre a mesa
Nas coisas que não se explicam
Ou nos momentos que não ficam

Tento compreender o teu mundo
Mesmo que hesite um segundo
Porque nada mais me prende
É nas palavras que se entende

Que quero contigo partilhar
Uma vida toda a caminhar
Num destino mais concreto
Num desejo mais secreto

Sinto-me assim

Sinto-me esmagado pela desilusão
Vejo-me atado à decepção e ao medo
Estou fechado para a vontade de ser Feliz
Sinto um amargo de boca por não conseguir reagir
Faço de contas que não me importo
Que não me incomoda
Que é apenas uma fase
Sinto-me amarrado aos preconceitos
Ao que se vai falar
Ao que se vai pensar
Sinto-me preso nas grilhetas do senso comum
E abafo a minha dor e o meu sofrimento
Com silêncios demorados
Daqueles que perturbam os outros
Os que estão à minha volta
E se preocupam comigo
Tenho quase tudo
E ao mesmo tempo não tenho quase nada
Sou uma espécie de copo meio cheio e meio vazio
Acredito em pouca coisa
E pouca coisa me faz acreditar
Quero saber como isto vai acabar